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Redação Mobilsfera
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A alfinetada da Samsung no iPhone Duo é justa, mas o problema real da Apple é a escassez

Zombar de telas rachadas de US$ 1.999 é bom marketing. O escândalo maior é que quem compra primeiro enfrenta cambistas, prateleiras vazias e dúvidas de durabilidade, e só a Apple pode resolver.

Publicado
1 de novembro de 2026
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Imagem gerada por IA

Como chamar um celular que é difícil de comprar, caro de revender e, para alguns donos, fácil de rachar? A Apple gostaria que você dissesse "muito procurado". A Samsung gostaria que você dissesse que é um presente.

A filial canadense da Samsung lançou nesta semana uma campanha publicitária que zomba dos problemas de tela de alguns usuários do iPhone Duo, usando imagens de danos simulados para promover o Galaxy Z Fold8. A Apple diz que as falhas afetam um número pequeno de unidades. Enquanto isso, o Gizmodo, citando Mark Gurman, da Bloomberg, informa que cambistas e outros compradores estão usando bots com inteligência artificial para abocanhar em segundos o estoque de retirada em loja.

O anúncio da Samsung é barato, mas não é injusto

Vamos tirar a parte fácil do caminho. A publicidade comparativa que cutuca um defeito visível do rival é tão antiga quanto a própria publicidade, e a Samsung tem um longo histórico de alfinetar a Apple. Se as telas realmente estão rachando, e um desmonte relatado pelo IBTimes Austrália aponta, segundo se informa, uma peça quebrada por trás de algumas telas dobráveis rachadas de US$ 1.999, a concorrente tem o direito de dizer isso.

Nossa opinião: o anúncio funciona justamente porque a Apple transformou o primeiro iPhone dobrável em símbolo de design premium e impecável. Quanto mais alto o pedestal, mais alto soa a rachadura. Isso é obra da Apple, não da Samsung.

Há, porém, uma ressalva justa. A Apple diz que isso afeta um número pequeno de unidades, e não temos como verificar a taxa real de falhas pela documentação. Uma campanha em redes sociais baseada em danos simulados prova que a Samsung tem uma boa equipe criativa, não que o Duo seja frágil de modo geral. Quem está decidindo sobre um celular de US$ 1.999 deveria esperar mais dados, não mais memes.

A escassez é a história maior

O que, a nosso ver, importa mais: o Duo é quase impossível de conseguir. O Tom's Guide observa que varejistas online e operadoras informam prazos de entrega que avançam até o fim do ano e entram em 2027. Segundo o resumo do Gizmodo sobre a Bloomberg, a Apple colocou 80% dos Duo disponíveis nas prateleiras no fim de semana de lançamento e reservou 20% para envios e retirada em loja, e cada loja tinha apenas de 50 a 250 unidades. Some a escassez de memória, que ajudou a levar o preço inicial a US$ 1.999, e você tem a receita para um mercado de revenda.

E que mercado. Segundo o New York Post, anúncios de revenda chegaram a US$ 10.000, e um usuário do Reddit contou ter conseguido o dobro do preço de varejo no eBay. São preços pedidos e relatos isolados, não vendas típicas, então é preciso tratá-los assim. Mas o padrão é claro: quem é mais rápido, ou tem o melhor bot, ganha. Quem só quer comprar um celular pelo preço do site da Apple perde.

Também parece uma escolha deliberada de lançamento. O Gizmodo relata a afirmação da Bloomberg de que a Apple preferiu liberar os aparelhos aos poucos em outubro em vez de esperar novembro, concentrando-se nos Estados Unidos e na China. É uma decisão comercial defensável. Mas também garante uma manchete com cara de escassez.

Quem compra primeiro paga duas vezes

É aqui que as duas histórias se encontram. Imagine que você venceu os bots, ficou na fila de madrugada diante de uma loja e pagou US$ 1.999 ou mais. Se a tela rachar, você quer um reparo rápido ou uma troca. O PC Guide informa que o estoque de reposição é escasso. Ou seja, a escassez que tornou a compra penosa pode tornar o conserto penoso também. Não sabemos o quanto isso é disseminado, mas é exatamente o cenário que a Apple deveria temer.

Há ainda uma ironia no próprio mercado de cambistas. O SCMP informa que os ágios dos cambistas na China continental estão diminuindo após avaliações iniciais mistas sobre durabilidade, e o Ticker diz que alguns revendedores estão baixando preços à medida que a demanda desacelera. Em outras palavras, a conversa sobre telas rachadas talvez já esteja movendo dinheiro. Não está claro se esses descontos na China são um soluço ou uma tendência, mas os revendedores leem reputações mais rápido que qualquer um.

Portanto, quem sai ferido não são só os compradores que pagam demais. São também os clientes dos revendedores, que pagaram preços inflados por um celular cuja reputação depois balançou. Um produto escasso e com ponto de interrogação sobre durabilidade é a pior combinação para quem comprou pagando ágio.

O que a Apple deve fazer e o que você deve fazer

Para a Apple, achamos as prioridades óbvias, ainda que as soluções sejam lentas. Primeiro, ser transparente sobre a taxa de falhas e a causa, em vez de se apoiar em "um número pequeno de unidades". Segundo, garantir que peças de reparo e reposição existam em quantidade relevante antes de serem necessárias. Terceiro, se a escassez de memória limita a produção, dizer isso com clareza e dificultar a burla da retirada em loja. A Apple, segundo se informa, aplica nos Estados Unidos um limite de dois aparelhos por cliente, mas um teto pouco adianta contra bots capazes de monitorar horários de retirada.

A Samsung pode aproveitar seu momento. Mas os dobráveis têm um histórico de queixas precoces de durabilidade, e um anúncio do Galaxy Z Fold8 é um escudo fraco para toda a categoria.

Nosso veredito para os leitores: não pague a um cambista. Nem o dobro do preço de varejo, e certamente não os valores que circulam por aí. Se você quer um Duo, peça pela Apple ou pela sua operadora e tenha paciência, porque o ágio de revenda parece estar diminuindo em pelo menos um grande mercado. Se não puder esperar, o iPhone 18 Pro Max tem prazos de entrega de duas a três semanas, segundo o Tom's Guide, e a nosso ver é a compra mais segura. O Duo é, sem dúvida, o iPhone mais interessante da Apple em anos. Não merece ser um bilhete de loteria.

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