Sete anos de atualizações: promessa vazia até chegar aos celulares intermediários
Motorola e Honor entraram no clube dos sete anos, mas slogan não é patch. Vamos premiar a entrega no prazo em celulares acessíveis, não o comunicado de imprensa.
Imagem gerada por IA
Quando todas as marcas prometem sete anos de atualizações, o que essa promessa diz a você? Pouca coisa. Diz que o departamento de marketing se atualizou, e isso está bem longe de provar que a equipe de software também vai se atualizar.
As mais recentes a entrar são Motorola e Honor. O BornCity informa que as duas aderem à garantia de sete anos que Google e Samsung já ofereciam. Um levantamento do BGR lista o Motorola Signature, o Honor Magic V6, o Pixel 10a e o Galaxy S26 Ultra entre os celulares com esse nível de suporte.
Sete anos já são o mínimo, não um diferencial
Há alguns anos, sete anos de Android era motivo de orgulho só de Google e Samsung. A Honor disse em março de 2025 que sua linha topo de linha Magic passaria de cinco para sete anos de atualizações de sistema e de segurança, a começar pelo Magic 7 Pro, e a CNET observou que isso a colocava no mesmo patamar das outras duas. Agora a Motorola também está no clube.
Achamos isso bom para todos, mas também esvazia o valor do número. Se o mesmo número aparece em toda ficha técnica, ele deixa de ajudar na escolha. As perguntas úteis passam a ser as incômodas: com que rapidez as atualizações chegam, e a marca realmente cumpre a palavra?
A Motorola é quem tem mais a provar
A Honor tem um histórico claro de promessas crescentes. O da Motorola é mais irregular. O guia do Android Authority, de novembro de 2025, dizia que os topos de linha da Motorola em geral recebiam duas atualizações de software e dois anos de patches, às vezes três. A Computer Bild, em outubro de 2025, apontava os modelos Edge e Razr de 2023 em diante com três versões do Android e quatro anos de atualizações de segurança.
É um salto enorme até sete anos. Pode muito bem ser sincero, e o Signature, lançado no início de 2026 com suporte até o início de 2033, é a vitrine disso. Mas um topo de linha de 999 € é o caso fácil. Quem compra premium reclama alto e as marcas percebem. Nossa opinião: uma promessa num celular vitrine prova intenção, não cultura.
O teste é o celular de 300 € e o calendário
Duas coisas vão separar as marcas confiáveis das demais. A primeira é a faixa intermediária. Segundo o BGR, os fabricantes estão dando mais suporte a celulares intermediários e de entrada, alguns com até seis anos. Esse é o progresso real, porque a maioria das pessoas não compra topo de linha. O Pixel 10a do Google, um modelo econômico com a promessa de sete anos, é a referência. A linha 400 da Honor recebeu seis anos, segundo o anúncio de 2025, o que é razoável, mas não são sete. Se a promessa da Motorola parar no topo da linha, é efeito vitrine, não política.
A segunda é o prazo. O Android Authority elogiou o Google por patches que chegam no início de cada mês. Um suporte que existe tecnicamente, mas chega com meses de atraso, é um produto mais fraco. O hardware também envelhece: o próprio chefe de produto da Honor reconheceu que hardware mais antigo pode sofrer com software mais novo e que é preciso trabalhar de perto com os fabricantes de chips. Sete anos de atualizações num celular lento é pior negócio do que parece.
O que fazer antes de comprar
Leia as letras miúdas. A página de suporte da Motorola diz que a empresa se reserva o direito de mudar o conteúdo e o calendário de qualquer versão de software sem aviso prévio, e esse é exatamente o tipo de cláusula que uma promessa de manchete deveria levar você a conferir. Procure um compromisso com data de fim de suporte para o modelo específico, não para a marca.
Nosso veredito: aplauda Motorola e Honor por se moverem, mas não dê o crédito ainda. O crédito vai para a empresa que entrega atualizações no prazo no quinto ano, num celular que custou algumas centenas de dólares. Até lá, trate os sete anos como uma promessa a ser auditada e compre o celular cujo histórico você realmente possa verificar.
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