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Redação Mobilsfera
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A crise da RAM não vai poupar seu próximo celular: pagar mais ou aceitar menos

A TrendForce espera escassez até 2027, e o próprio chefe de memória da Samsung diz que 2027 será pior que 2026. Para quem compra celular: preços mais altos ou especificações cortadas em silêncio.

Publicado
23 de outubro de 2026
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4 min
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Imagem gerada por IA

Todo mundo trata a crise da RAM como um problema de quem monta PC. O seu celular diz o contrário. Se você esperava que o aperto de memória passasse até a hora de trocar de aparelho, quem vende os chips está avisando para não contar com isso.

O alerta mais recente vem da TrendForce, que espera queda na oferta de DRAM para PCs em 2027, segundo o Notebookcheck. A causa é a que já conhecemos: os fabricantes de memória estão direcionando capacidade para memória de alta largura de banda destinada aos data centers de IA. Os celulares estão na mesma fila. De acordo com a própria reportagem da TrendForce, a demanda por servidores de IA continua pressionando a DRAM, e a escassez e os aumentos de preço devem se estender até 2027.

Quem diz isso é o fornecedor, e isso importa

Previsões de analistas podem errar. Mas o chefe de vendas de memória da Samsung, Jaejune Kim, disse a analistas neste mês que é "improvável ver qualquer aumento significativo na oferta incremental até 2028", e que a demanda não atendida deste ano passa para o próximo, tornando 2027 pior que 2026. Quando a empresa que lucra com a escassez diz que a escassez continua, levamos a sério.

Na nossa leitura, isso não é um ciclo prestes a virar. Segundo o mesmo relatório, a Samsung assinou contratos de fornecimento de longo prazo que, ao que se informa, comprometem de 60% a 70% da sua capacidade com clientes de hiperescala. Uma fabricante de celulares que negocia pelas sobras tem pouco poder de barganha. Essa é a verdadeira história: não é só que a memória está cara, é que a marca do seu celular não é mais a primeira da fila.

A linha intermediária sentirá o impacto primeiro

Os top de linha têm margem para absorver um chip de memória mais caro, e as marcas conseguem justificar um preço maior com um discurso premium. A linha intermediária não. Há pouco espaço para um reajuste de surpresa num aparelho cujo apelo todo é o custo-benefício.

Por isso, esperamos que as marcas escolham entre duas más opções: aumentar o preço ou cortar a especificação. Cortar é a opção sorrateira. Um celular que mantém o nome, mas chega com menos RAM ou armazenamento mais lento, é um aumento de preço disfarçado, fácil de passar batido numa ficha técnica. A TrendForce diz que fabricantes de entrada podem recorrer a componentes reaproveitados ou de especificação inferior para manter suas linhas viáveis. Isso é uma previsão, e os relatos de chips reaproveitados são boatos não confirmados que, segundo o TechNews, se limitam em grande parte a celulares ultrabaratos e sem marca. Ainda assim, a direção é clara.

Os relatos vindos da China apontam o mesmo caminho. Dizem que alguns chips custam até 500 RMB a mais por unidade e que algumas marcas estão cortando produção e volumes de vendas em vez de repassar todo o aumento aos consumidores. Nada disso foi confirmado pelas empresas nem pelas autoridades chinesas. Mas, se for verdade, sugere que as marcas preferem vender menos celulares a aumentar preços, e que estão ficando sem opções.

Não compre por pânico, mas pare de esperar uma pechincha

Os dados do mercado são sombrios. A TrendForce projetou que a produção global de smartphones cairia 14% em relação ao ano anterior, para cerca de 1,07 bilhão de unidades em 2026, embora essa previsão tenha sido revisada para cima, e alertou que o aumento do custo da memória pode pressionar ainda mais o mercado em 2027. Menos celulares, custos maiores: na nossa visão, não é a receita para uma guerra de preços nas festas de fim de ano.

Eis o que diríamos aos leitores:

  • Se o seu celular funciona bem, fique com ele. Esperar por memória mais barata é apostar contra todas as previsões acima.
  • Se precisar comprar, priorize RAM e armazenamento em vez de estética. Suspeitamos que esses sejam os componentes com mais chance de serem cortados no ano que vem. Confira a configuração exata, não só o nome do modelo.
  • Se você está de olho em um intermediário para 2027, espere pagar mais ou levar menos. Um desconto que mantenha a especificação será provavelmente a exceção.
  • Não pague a mais por firulas em um top de linha de que você não precisa. As marcas com os bolsos mais fundos tendem a proteger seus modelos de topo, então o segmento premium pode ser onde as especificações melhor se sustentam.

O veredito

A ressalva honesta é que não vimos uma previsão de preços específica para celulares em 2027, e não vamos inventar uma. O que temos é um quadro de oferta em que celulares competem com servidores de IA e perdem. Nossa opinião: o celular intermediário barato e de especificações generosas é a vítima silenciosa do boom da IA. Compre o que precisa quando precisar, leia a ficha técnica como um contrato e não espere que a próxima geração seja mais gentil que esta.

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