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Redação Mobilsfera
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As rachaduras do iPhone Duo parecem problema de projeto, não falta de sorte

O desmonte da iFixit aponta para a dobradiça e o suporte da tela interna, e um dobrável a partir de US$ 1.999 merece uma política de garantia clara, não uma discussão sobre quem deixou cair.

Publicado
26 de outubro de 2026
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Imagem gerada por IA

É azar quando um celular que custa a partir de US$ 1.999 apresenta defeito na tela poucos dias após o lançamento, ou é o aparelho fazendo o que foi projetado para fazer? Depois do desmonte da iFixit, nossa inclinação é pela segunda resposta, e achamos que a Apple deve aos compradores clareza sobre como tratará essas falhas.

O iPhone Duo chegou às lojas em 23 de outubro, segundo um guia de varejista que cita as datas da Apple. Em poucos dias, donos já postavam no Reddit telas rachadas e problemas no display. O MacRumors informa que o desmonte da iFixit constatou que as quebras se concentram perto da transição entre o vão do cabo flexível que cruza e o suporte central da dobradiça.

O padrão aponta para a dobradiça, não para donos desastrados

A iFixit é cuidadosa, e nós também devemos ser. Ela lista várias causas possíveis: pressão, uma partícula presa, dobras repetidas ou defeito de fabricação. Chega a observar que uma falha na fiação pode parecer um painel fisicamente quebrado. Não há prova definitiva.

Mas o local importa. A iFixit montou um modelo 3D da dobradiça a partir de imagens do desmonte, patentes e tomografias, e o dano relatado fica um pouco abaixo de onde passa o cabo do display, num ponto em que várias bordas se encontram e mudam o modo como a tela fina é sustentada. Isso é uma questão de geometria. Na nossa visão, quedas aleatórias não se concentram num só lugar. O projeto, sim.

O teste de poeira reforça isso. Segundo o MacRumors, partículas entraram na dobradiça e a fizeram ranger, o que poderia levar a danos na tela. Para ser justo, a dobradiça do Duo acumulou menos poeira que a do Galaxy Z Fold8 ou a do Pixel 11 Pro Fold, e a iFixit chamou isso de "animador". Nossa opinião: é um bom resultado para uma primeira tentativa, mas não é motivo para relaxar. Uma peça móvel que deixa entrar sujeira é uma peça móvel que pode acabar pressionando essa sujeira contra um painel flexível.

Uma ressalva que vai no sentido contrário: não temos uma taxa de falhas. As redes sociais amplificam defeitos, e nada na documentação diz quão disseminado é o problema. Por isso, a afirmação honesta é "ponto fraco de projeto plausível", não "recall".

Culpar o comprador é o padrão errado para um celular de US$ 1.999

O que mais nos incomoda é isto. O PhoneArena relata um caso em que a Apple alega que uma tela interna quebrada sofreu queda, após apenas três horas de uso, e se recusa a honrar a garantia. É um único relato e não vimos o lado completo da Apple. Mas, se a causa pode ser estrutural, o ônus da prova não deveria recair sobre o comprador.

O dinheiro não é pouco. O estimador de reparos da Apple, segundo relatos, indica US$ 999 para dano na tela interna fora da garantia e US$ 379 para a externa, embora a Apple diga que inspeciona cada aparelho antes de informar o valor final. A taxa relatada do AppleCare+ para dano acidental na tela interna é de US$ 99. A garantia padrão da Apple não cobre danos acidentais, então toda a disputa gira em torno de uma pergunta: foi acidente ou defeito? Um dobrável com um ponto plausível de tensão mecânica torna essa pergunta bem mais difícil de responder só olhando para uma tela rachada.

O que queremos da Apple é simples. Primeiro, uma declaração pública sobre o que conta como defeito de fabricação na tela interna. Segundo, um caminho claro para falhas precoces que não comece com uma acusação. Terceiro, uma política explícita de extensão ou cortesia enquanto a causa é investigada. Nada disso é exótico; é o que se deve a quem paga US$ 1.999 ou mais.

Quem compra primeiro financia a curva de aprendizado

O desmonte não traz só más notícias, e precisamos dizer isso. A iFixit deu ao Duo uma nota provisória de 5 em 10 em reparabilidade, à frente do Galaxy Z Fold8 e do Pixel 11 Pro Fold, com 4. Elogiou a remoção da bateria, a tela externa robusta e um manual de reparo desde o primeiro dia. Seu próprio veredito: "Este é o smartphone dobrável mais reparável que já vimos, e ainda assim vai ser um sofrimento consertá-lo."

Essa é a verdadeira história. A Apple fez uma engenharia séria e mesmo assim lançou seu primeiro dobrável com um possível ponto fraco onde a tela dobra. Achamos isso normal em categorias novas, mas normal não significa que o comprador deva pagar por isso. Quem paga US$ 1.999 ou mais no primeiro dia está financiando a curva de aprendizado da Apple.

Nosso veredito

Se você já tem um Duo, mantenha-o limpo, evite a praia (a iFixit sugeriu que ele não é um bom aparelho para isso) e considere seriamente o AppleCare+, porque a diferença entre US$ 99 e US$ 999 é o verdadeiro argumento do seguro. Documente qualquer defeito imediatamente. Se ainda não comprou, esperar algumas semanas é a jogada econômica: queremos ver antes a explicação da Apple e um quadro mais claro das falhas. E, para a Apple: uma política clara vence a discussão caso a caso sempre.

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