iPhone
Redação Mobilsfera
iPhone

Trocar o aparelho não resolve: a Apple deve uma explicação a quem comprou o iPhone Duo

As trocas da AppleCare para telas rachadas do iPhone Duo resolvem o problema de um dono, não a questão do projeto. Até a Apple dizer se o hardware mudou, um aparelho novo é uma aposta.

Publicado
31 de outubro de 2026
Leitura
4 min
Categorias
iPhone

Imagem gerada por IA

Dá para falar em "um pequeno número de unidades" quando as Apple Stores teriam recebido um memorando interno sobre o assunto? Essa é a pergunta que paira sobre o iPhone Duo, o dobrável de US$ 1.999 com o qual a Apple escolheu estrear na categoria e cujas telas internas, segundo alguns compradores, racharam em poucas horas ou dias de uso.

Eis o que sabemos. O Duo chegou ao mercado em 23 de outubro. No fim de semana seguinte, surgiram fotos e vídeos de telas internas com rachaduras e linhas horizontais brilhantes perto da dobra. A declaração da Apple, segundo o Hipertextual, diz que a empresa está ciente de um problema que afeta a tela interna de um pequeno número de unidades e que os usuários afetados devem procurar a AppleCare para uma troca. O Metro.pr acrescenta que não é preciso ter assinatura do AppleCare+.

A troca conserta o seu celular, não a pergunta

É justo reconhecer: trocar o aparelho, sem exigir assinatura do AppleCare+, é a medida imediata correta. Ninguém que pagou US$ 1.999 deveria ter de discutir se deixou o celular cair.

Mas a troca responde a "o que eu faço agora?" e ignora "por que isso aconteceu?". Segundo os relatos, as rachaduras surgiram sem quedas nem pancadas, e um comprador descreveu que o problema apareceu depois de cerca de seis horas de uso e menos de 20 aberturas. Veículos também informam que a Apple não explicou a causa. O Hipertextual diz que alguns usuários já receberam um aparelho de reposição que funciona normalmente, o que é uma boa notícia, mas é anedótico. A menos que a Apple diga o contrário, presumimos que o aparelho de reposição tem o mesmo projeto de dobradiça, o que faz dele um novo bilhete de loteria.

A única pista técnica vem de fora. A iFixit disse ao The Verge que as rachaduras podem estar ocorrendo porque a tela flexível pressiona uma parte da dobradiça. É uma análise preliminar, não uma causa confirmada, e aponta para o mecanismo, não para mau uso. Na nossa visão, isso importa. Se a falha fosse azar de um lote, a Apple poderia dizer isso com clareza. Se a falha é geométrica, a troca só reinicia o relógio.

"Pequeno número" está carregando muito peso

A Apple diz que afeta poucas unidades. Pode ser. O Hipertextual afirma que tudo indica um lote de produção, e não um defeito generalizado, embora essa seja a leitura do veículo, não uma confirmação da Apple. Enquanto isso, o The Verge repercute uma reportagem do MacRumors segundo a qual as Apple Stores receberam um memorando interno, e o MacRumors argumenta que isso sugere que o problema é disseminado o bastante para exigir orientação oficial. É uma inferência, e a tratamos como tal, mas combina mal com um dar de ombros.

Há também um descompasso incômodo com o discurso de venda. No lançamento, segundo o Hipertextual, o novo CEO da Apple disse que os dobráveis Android parecem dois celulares colados de qualquer jeito, e a empresa destacou a resistência da dobradiça e a durabilidade da tela. Quando o marketing aposta justamente no componente sob suspeita, uma nota-padrão não basta.

E as rachaduras não são a única preocupação. O Culturageek relata uma reclamação separada sobre uma folga entre a traseira e a área da dobradiça, sem causa conhecida nem número de casos. Não confirmado, sim, mas o receio é que poeira e umidade possam entrar, justamente o que um dobrável de US$ 1.999 não pode permitir.

O que a Apple deveria publicar e o que os compradores devem fazer

Nossa proposta é simples. A Apple deveria dizer se as unidades enviadas daqui em diante diferem na dobradiça ou nas camadas da tela, e como o comprador pode perceber isso. Uma faixa de números de série revisada, uma nota sobre mudanças na produção, qualquer coisa verificável. Sem isso, quem recebe um aparelho de reposição não tem como saber se tem uma correção ou uma repetição.

O preço deixa claro o que está em jogo. O Metro.pr diz que o reparo da tela interna fora da garantia tem custo anunciado de US$ 999, quase metade do preço do celular. Se existe uma falha de mecanismo, essa exposição deveria preocupar quem pensa em dispensar a cobertura.

Nosso conselho: se você já tem um Duo e a tela está boa, guarde a nota fiscal, registre o estado do aparelho e não hesite em procurar a AppleCare ao primeiro sinal de uma linha. Se ainda está decidindo, esperar algumas semanas custa pouco. A oferta é curta de qualquer forma, e até lá deve haver mais dados sobre se as reposições aguentam. A Samsung já provoca a Apple no anúncio do Galaxy Z Fold 8, segundo a CNET, mas a ironia de um rival não é motivo para comprar nem para deixar de comprar coisa alguma.

A Apple já ganhou o benefício da dúvida em hardware muitas vezes. Este é o momento de usá-lo com transparência. A troca é uma gentileza. Uma explicação seria uma resposta.

Temas de debate

Ainda não há temas: abra o primeiro.

Mais matérias