A farra de compra de espectro da Starlink é algo que as operadoras não podem mais ignorar
A FCC segue entregando frequências à SpaceX, e a Starlink Mobile parece menos um complemento de cobertura e mais uma rival. Sem exageros, comprador deve olhar primeiro a cobertura rural.
Foto: Kim Shiflett / Wikimedia Commons (Public domain)
Quando uma empresa gasta bilhões em frequências, ela não pretende vender um quebra-galho para quando o sinal cair. Ela pretende vender o sinal. Essa é a melhor forma de ler a vitória mais recente da SpaceX na FCC, e o motivo pelo qual as operadoras americanas deveriam parar de tratar a Starlink Mobile como um complemento de nicho.
O acordo com a FCC é pequeno; o padrão, não
Segundo o Drive Tesla Canada, a decisão da FCC divulgada em 21 de outubro aprova a compra pela SpaceX de três licenças AWS-3 não utilizadas da Tristar. Elas cobrem partes de oito estados, alcançam cerca de 4% da população dos EUA, e o espectro é apenas de uplink. A SpaceX precisa mostrar um serviço de satélite em melhora constante em cada área de licença e, se não cumprir a meta final, perde as licenças.
Isoladamente, é uma peça pequena. Mas ela chega semanas depois de a SpaceX fechar um acordo por espectro de baixa frequência de 800 MHz. Segundo o roams.es, esse acordo foi assinado em 8 de outubro e ainda aguarda aprovação da FCC. Ele vem depois da compra anterior de espectro de 2 GHz da EchoStar, por cerca de US$ 17 bilhões. O padrão importa mais do que qualquer licença isolada.
A estratégia é uma rede híbrida, não um botão de emergência melhor
A primeira ideia do Direct to Cell era ampliar a cobertura das operadoras existentes, com satélites atuando como estações-base em órbita. O novo plano é diferente. A SpaceX diz que quer espectro de banda média de 2 GHz para capacidade de satélite, mais 800 MHz como uma camada que chega ao interior dos prédios, combinados com pequenas estações-base terrestres. A própria empresa afirma que a Starlink Mobile poderia ser a primeira operadora a implantar espectro de satélite e terrestre.
Na nossa avaliação, essa é a mudança real. Ter espectro significa que a SpaceX não precisa mais negociar por necessidade. Pode se associar às operadoras quando for conveniente e competir com elas quando não for. O mercado parece ter entendido: segundo o roams.es, AT&T, T-Mobile e Verizon caíram forte em 9 de outubro, embora tenham recuperado parte do terreno depois.
Não cancele seu plano ainda
Há muito exagero aqui, e os próprios analistas fazem ressalvas. Analistas do Banco Sabadell citados pelo roams.es acham que o espectro serve para áreas rurais e remotas, não para competir em capacidade nas cidades. Tim Farrar, da TMF Associates, disse à CNBC que uma cobertura urbana confiável em ambientes fechados exigiria infraestrutura terrestre. A SpaceX não informou data de lançamento comercial como operadora móvel. E segundo o Infobae, a SpaceX disse ao Canadá que começaria a lançar seus satélites de nova geração, com o serviço funcionando perto do fim de 2027.
Uma previsão deve ser tratada como tal: Jeffrey Wlodarczak, da Pivotal Research, estima que a Starlink poderia conquistar até 13% do mercado móvel dos EUA em dez anos. É uma projeção de analista, não um dado da empresa. A visão da Telecompaper, de que o impacto será gradual e principalmente nos EUA, parece a mais sensata para nós.
Quem compra celular deve olhar a cobertura rural antes dos preços
Primeiro, a cobertura. O Infobae informa que Gwynne Shotwell disse em agosto que a SpaceX espera conquistar bom número de clientes das três grandes e eliminar áreas sem sinal. Se você mora ou viaja onde as torres são escassas, é a primeira vez que a promessa de uma rival soa crível. Segundo, os preços. Achamos que o efeito mais provável é pressão sobre pacotes e promoções, e não uma guerra de preços repentina. Wamsi Mohan, do Bank of America, alertou que mais concorrência poderia afetar os subsídios das operadoras para celulares, e esse é o número a observar quando as ofertas surgirem.
Terceiro, o hardware. A SpaceX diz que a maioria dos celulares atuais já é compatível com a banda de 800 MHz, o que significaria não precisar de aparelho especial. Essa é a afirmação da empresa, e esperaríamos uma confirmação antes de presumir que o seu celular está pronto.
Nosso veredicto: fique com a sua operadora, mas deixe de pensar na cobertura por satélite como um truque. Nos próximos dois anos, as perguntas úteis são se a SpaceX vai estrear como operadora virtual, com que rapidez vai montar sua camada terrestre e se as operadoras vão responder com melhor cobertura rural. A concorrência chegou a este mercado. Por uma vez, os usuários rurais podem ser os primeiros a ganhar.
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